Grupo de trabalho nº 1:
Terrorismo
Em 19 de maio de 2005, o Grupo de Trabalho sobre Terrorismo realizou
no âmbito da IV Assembléia Plenária do Fórum Interparlamentar
das Américas (FIPA), a sua primeira sessão de trabalho na
sede do Congresso Nacional Brasileiro, na cidade de Brasília, com
a participação de 27 deputados e senadores de doze países
membros do Fórum.
Nessa sessão,
o Grupo de Trabalho elegeu como Presidenta a Senadora SILVIA HERNÁNDEZ,
representante do México.
Após a abertura
efetuada pela Presidenta, os parlamentares integrantes do Grupo, se
apresentaram com seus respectivos cargos, nomes e países de origem.
Em seguida, o
Doutor MAURO MIEDICO, funcionário do Departamento das Nações
Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), fez uma apresentação
sobre o papel dos Parlamentos no combate ao terrorismo, destacando os
seguintes aspectos:
- As doze ferramentas internacionais para tratar do
assunto e seu conteúdo;
- Os principais problemas encontrados no âmbito
legislativo: a caracterização dos atos terroristas na legislação
interna de cada país; o baixo nível de implementação
das propostas normativas; a harmonização limitada da legislação
antiterrorista; e o lento processo de incorporação das Convenções
internacionais no direito interno de cada país.
Debate do Grupo
de Trabalho
Durante
as sessões de trabalho, os parlamentares participaram ativamente
de um intenso debate com intercâmbio de informação e
de idéias.
Todos concordaram
com a necessidade de que os diferentes países integrantes do Fórum,
desenvolvam um trabalho conjunto para o combate do terrorismo, implementando
medidas e esforços coordenados e aproveitando o potencial de cada
país para essa tarefa.
Ficou evidente
que, apesar da existência de órgãos de segurança
especializados nesse campo, as políticas de combate ao terrorismo
exigem uma visão mais ampla, que passa pelo papel fundamental que
os Parlamentos exercem no desenvolvimento de uma legislação
apropriada relacionada à segurança individual e coletiva,
implementando as ferramentas para combater e prevenir os atos terroristas.
Da mesma forma,
os parlamentares reconheceram que o terrorismo atualmente atravessa
as fronteiras políticas e ideológicas, disseminando-se, praticamente
de forma indiscriminada, por todo o mundo. Assim, é propício
levar esta discussão aos fóruns multilaterais com o objetivo
de encontrar soluções conjuntas que sejam coerentes e proveitosas
para todos.
Afirmou-se que
as medidas propostas pelos organismos internacionais freqüentemente
não são implementadas com a urgência e a profundidade
necessária na legislação interna de alguns países,
ou porque não são vistas como prioritárias ou porque
simplesmente não existe vontade política para fazê-lo.
Houve consenso no que diz respeito à necessidade de agilizar a
ratificação e a implementação das Convenções
e Protocolos internacionais sobre terrorismo.
Os representantes
do Paraguai, Venezuela, Chile e Brasil fizeram uma breve apresentação
do processo legislativo vinculado à ratificação dos Tratados
internacionais em seus respectivos países.
Por outro lado,
destacou-se a importância de harmonizar as legislações
antiterrorismo com o objetivo de facilitar o processamento dos atos
terroristas. Isso ajudaria tratar um tema tão complexo que abrange
tanto ações isoladas de grupos extremistas quanto o terrorismo
de Estado.
Os parlamentares
trocaram pontos de vista sobre a associação entre o terrorismo
e os delitos transnacionais narcotráfico, crime organizado,
lavagem de dinheiro, contrabando de armas e de pessoas, seqüestro,
entre outros que servem não somente de apoio direto ao terrorismo
senão também como fonte de recursos para o seu financiamento.
Uma questão
de fundamental importância foi a necessidade de excluir aspectos
ideológicos da luta contra o terrorismo ou porque deste
ponto de vista determinados atos terroristas poderiam ser justificados,
ou porque poderiam ser feitos, sob o ponto de vista de alguns, em prol
de uma causa nobre.
Destacou-se a
necessidade para que os organismos internacionais e os Parlamentos estreitem
seus laços de cooperação técnica para combater o
terrorismo.
Antes de concluir
a primeira sessão de trabalho, salientou-se a vulnerabilidade dos
países que não têm uma legislação apropriada
e atualizada contra o terrorismo, pois é justamente essa lacuna
que abre espaço para que sejam cometidos estos atos.
Por esse motivo,
os participantes expressaram a sua convicção sobre a necessidade
de que os países acelerem a adoção e a atualização
das medidas legislativas para a prevenção e combate ao terrorismo,
destacando a importância de que os Estados do hemisfério,
que ainda não o fizeram, adotem e ratifiquem a Convenção
Interamericana contra o Terrorismo, assim como as doze Convenções
e Protocolos das Nações Unidas referentes ao assunto.
Durante o segundo
dia de trabalho, em 20 de maio, o Sr. KEVIN NEWMEYER, Diretor do Programa
do Comitê Interamericano contra o Terrorismo, da Organização
dos Estados Americanos (OEA), expôs as diversas formas de apoio
à disposição dos países para combater o terrorismo,
incluindo a formação de agentes do governo, inclusive o pessoal
dos Poderes Judicial e Legislativo. Destacou também as atividades
para fortalecer o controle da lavagem de dinheiro, em diversos paraísos
fiscais, particularmente em algumas ilhas do Caribe, que precisarão
estabelecer modificações em suas legislações.
Posteriormente,
discutiu-se a questão dos bancos de dados que têm como objetivo
detectar o movimento e as atividades de potenciais terroristas, conhecer
as atividades das empresas relacionadas com o terrorismo e das atividades
do pessoal que trabalha em suas instalações, mas que podem
ter como efeito negativo a invasão à liberdade individual
e à vida privada das pessoas.
Durante o debate,
os parlamentares defenderam o direito de toda pessoa de ser considerada
inocente antes de que se considere o contrário; que as investigações
sejam realizadas no âmbito de uma jurisdição legal e
que as informações não sejam obtidas de forma inadequada.
Por outro lado,
foi proposta a criação de um organismo internacional para
tratar de casos de terrorismo e de extradição.
Em particular
insistiu-se no fato que o combate ao terrorismo se realize no âmbito
do direito internacional, enfatizando o respeito das garantias individuais
e os direitos humanos.
Os legisladores
de diversos países mencionaram casos específicos de terrorismo
que, de uma maneira ou de outra, tiveram um tratamento diferente, servindo
de base para que seus delitos ficassem impunes.
A Presidenta
do Grupo de Trabalho de Terrorismo destacou que o FIPA não emite
declarações definitivas, mas que as discussões e o intercâmbio
de idéias eram muito importantes para a adequação das
percepções dos parlamentares.
Finalmente, reiterou-se
o apelo para combater todas as formas de terrorismo, incluindo o terrorismo
de Estado.
Recomendações
Aprovadas pela
Asamblea Plenaria o dia 21 de maio de 2005.
Nós, parlamentares
das Américas, recomendamos:
1. Condenar o terrorismo em todas as suas
formas e origens, tanto as patrocinadas por grupos extremistas, como
o terrorismo de Estado;
2. Definir como crimes graves e de lesa-humanidade
os atos terroristas que em todo momento, surgem nos mais diversos lugares
do mundo;
3. Reiterar a urgência da ratificação,
implementação e cumprimento dos instrumentos internacionais
para enfrentar o terrorismo, particularmente, a Convenção
Interamericana contra o Terrorismo, as doze Convenções e Protocolos
das Nações Unidas, assim como as resoluções vinculatórias
do Conselho de Segurança da ONU sobre o assunto;
4. Desenvolver, no direito interno dos nossos
países, as medidas propostas pelos organismos internacionais para
o combate e prevenção do terrorismo, enfatizando o respeito
das garantias individuais e os direitos humanos;
5. Avançar no desenvolvimento de definições
comuns que permitam o processamento rápido dos delitos relacionados
ao terrorismo;
6. Elaborar ações e desenvolver
esforços de cooperação no combate e prevenção
do terrorismo, aproveitando as experiências parlamentares de cada
país;
7. Estreitar os laços de cooperação
técnica entre os organismos multilaterais e nossos Parlamentos,
particularmente com a Organização das Nações Unidas
e a Organização dos Estados Americanos;
8. Combater os delitos transnacionais realizados
pelo crime organizado narcotráfico, lavagem de dinheiro,
contrabando de armas, tráfico de pessoas e seqüestro, entre
outros relacionados com as atividades terroristas, seja pelo apoio
direto ou que sirva ao seu financiamento;
9. Solicitar ao Comitê Interamericano
contra o Terrorismo que elabore um guia informativo que contenha elementos
úteis aos parlamentares em seu propósito de ratificar os instrumentos
internacionais, assim como para a elaboração de uma legislação
nacional relativa ao terrorismo.
Sra. Silvia
Hernández
Senadora de México
Presidente do
Grupo de Trabalho sobre Terrorismo
Sr. Sérgio Fernandes Senna Pires
Relator
* * * *
Anexo 1 Participantes
Parlamentares
Argentina |
Deputado Mauricio Bossa |
Argentina |
Deputada Rosario Romero |
Argentina |
Deputada Margarita Stolbizer |
Brasil |
Deputada Janete Capiberibe |
Brasil |
Deputada Maria José Maninha |
Canadá |
Senadora Madeleine Plamondon |
Canadá |
Senadora Michel Biron |
Chile |
Deputado Waldo Mora |
Chile |
Deputado Ivan Alejandro Moreira Barros |
Chile |
Senador Jose Garcia Ruminot |
Chile |
Deputado Luis Ivan Paredes Fierro |
Costa Rica |
Deputado Mario Calderón Castillo |
Cuba |
Deputado Tuval Paez Hernández |
Equador |
Deputada Ana Lucia Cevallos |
Equador |
Deputado Geovanny Flores |
Guatemala |
Deputado Gudy Rivera Estrada |
Honduras |
Deputado Francisco Ramos |
México |
Deputado Luis Eduardo Espinoza Pérez |
México |
Deputado Rogelio Flores Mejía |
México |
Senadora Silvia Hernandez Enriquez |
Paraguai |
Deputado Roberto Espinola |
Paraguai |
Deputado Alfredo Ratti |
Paraguai |
Deputado Miguel Saguier Carmona |
Paraguai |
Senador Milciades Alejandro Velazquez Ugarte |
Venezuela |
Deputada Cilia Flores |
Venezuela |
Deputada Eulogia Pérez |
Venezuela |
Deputada Desiree Santos Amaral |
Peritos
Comitê Interamericano Contra o Terrorismo (CICTE) |
Sr. Kevin Newmeyer |
Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime
(UNODC) |
Sr. Mauro Miedico |
Outros
Embaixada
da Argentina |
Sr. Guillermo Devoto |
Embaixada da Bolívia |
Sr. Apolinar Aguilar |
Delegação do México |
Sr. Mauricio Davila |
Delegação da Venezuela |
Sra. Jucondy Quijada |
Anexo 2 Pauta temática e programa
Grupo de trabalho nº 1:
Terrorismo
Enfrentando a ameaça do
terrorismo
Objetivo:
Dar seguimento à segunda reunião do
Grupo Especial sobre Terrorismo do FIPA e examinar o papel que poderiam
desempenhar os parlamentares na luta contra o terrorismo, à luz
dos acordos alcançados durante o V período de sessões
do Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE).
Enfoque das discussões:
Frente à importância crescente que o
terrorismo adquire na agenda dos Estados e à conseqüente necessidade
de levar a cabo ações de cooperação internacional
que podem combatê-lo, é preciso que os Estados do continente
adotem e ratifiquem a Convenção Interamericana contra o Terrorismo,
e também as doze convenções das Nações Unidas
sobre o tema, e que no momento devido avaliem a possibilidade de assinar
e ratificar a Convenção Internacional para a Repressão
de Atos de Terrorismo Nuclear, recentemente adotada.
Um trabalho também importante e ainda pendente é a harmonização
das legislações nacionais em relação aos instrumentos
internacionais mencionados previamente. Poder contar com as leis nacionais
permitirá combater este flagelo e facilitar o esforço dos
países do hemisfério em matéria de cooperação
internacional contra o terrorismo, e também permitirá transformar
os compromissos adquiridos mediante a assinatura de tais instrumentos
em medidas concretas de ação.
Atividades/ temas:
Palestrante:
- Dr. Mauro Miedico, Escritório das Nações Unidas
contra Drogas e Crime
- Sr. Kevin Newmeyer, Comitê Interamericano Contra o Terrorismo (CICTE), Organização
dos Estados Americanos (OEA)
Reunião de Grupo de Trabalho:
Terrorismo
Congresso Nacional do Brasil
Programa
Quinta-feira, 19 de maio de 2005
15:00-15:10 |
Boas-vindas e apresentação do programa
e da agenda
Senadora Silvia Hernández (México)
Presidente do Grupo de Trabalho sobre Terrorismo |
15:10-16:30 |
Apresentações
- Sr. Mauro Miedico, Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime
- Sr. Kevin Newmeyer, Comitê Interamericano Contra o Terrorismo (CICTE), Organização
dos Estados Americanos (OEA)
Início dos debates |
Intervalo |
|
16:40-16:55 |
Workshop sobre o Parlamento Virtual das Américas
Sra. Lola Giraldo, FIPA |
16:55-18:00 |
Continuação dos debates |
Sexta-feira, 20 de maio de 2005
11:00-13:30 |
Continuação dos debates
Elaboração das recomendações |
13:30-15:00 |
Almoço |
15:00- 15:10 |
Apresentação da Conferência das Américas sobre
Compras do Governo Federal
Sr. Bruce Fox, Canadian Commercial Corporation |
15:10-18:30 |
Finalização das recomendações
Aprovação do relatório final a ser
apresentado ao Plenário |
O Grupo de Trabalho sobre Terrorismo deseja reconhecer
o apoio da:
|
|
Escritório das Nações Unidas contra Drogas
e Crime |
Comitê Interamericano Contra o Terrorismo (CICTE), Organização
dos Estados Americanos (OEA) |
|
|